Revista PAB
Pesquisa Agropecuária Brasileira
| Volume: | Numero: | Mes/Ano: |
| 32 | 10 | Outubro/1997
October/1997 |
Área de Publicação: Estatística
Subject: Statistics
Autores: JOSÉ ANTÔNIO ALEIXO DA SILVA; ADRIANA LIRA DE CAMPOS; ANTÔNIO FERNANDO SOUZA LEÃO DA VEIGA; ALBERTO FÁBIO CARRANO-MOREIRA; EDMILSON JACINTO MARQUES
ESTIMATIVA DA SUFICIÊNCIA AMOSTRAL PARA AVALIAR INTENSIDADE
DE INFESTAÇÃO DA DIATRAEA SPP. EM CANA-DE-AÇÚCAR1
JOSÉ ANTÔNIO ALEIXO DA SILVA2, ADRIANA LIRA DE CAMPOS3, ANTÔNIO FERNANDO SOUZA LEÃO DA VEIGA4, ALBERTO FÁBIO CARRANO MOREIRA5 e EDMILSON JACINTO MARQUES4
ESTIMATING SAMPLING SUFFICIENCY TO EVALUATE INFESTATION INTENSITY
OF DIATRAEA SPP. IN SUGAR CANE
__________________
1 Aceito para publicação em 30 de abril de 1997.
2 Eng. Agr., Ph.D., DCFL, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Rua Dom Manoel de Medeiros S/N, Dois Irmãos, CEP 52171-900 Recife, PE. E-mail: aleixo@elogica.com.br
3 Enga Fl., Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco (FAEPE), Rua Marquês do Recife 154, 2o Andar, Santo Antônio, CEP 50010-060 Recife, PE.
4 Eng. Agr., Dr., DEPA-UFRPE.
5 Eng. Fl., Ph.D., DCFL-UFRPE.
INTRODUÇÃO
A cana-de-açúcar é uma das principais culturas da Região Nordeste do Brasil. Trata-se de uma monocultura extensivamente plantada em grandes áreas nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Muitos fatores são responsáveis pela redução dos rendimentos agroindustriais da cultura, tais como a ação de pragas que causam significativas perdas por unidade de área. Entre essas pragas, destaca-se a broca-comum
(Diatraea spp.), pela sua ampla distribuição nos canaviais do Brasil e de outras localidades no continente americano de maneira geral (Terán, 1987; Vendramim et al., 1989).
A broca-comum ataca a cultura da cana-de-açúcar pela abertura de galerias nos colmos, provocando perda de peso, morte das gemas e "coração morto", que além de reduzir a tonelagem por área, não raro, exige custosos replantes. Ocorrem também prejuízos indiretos consideráveis, pois as aberturas (orifícios e galerias) permitem entrada dos fungos Colletotrichum falcatum Went e Fusarium moniliforme,que invertem a sacarose em glucose, diminuindo a pureza do caldo e o peso do açúcar (Guagliumi, 1972/73; Gallo et al., 1988).
Box (1952) constatou que numa intensidade de infestação de 12,5% houve redução de 5,8% no teor de sacarose. Segundo Ingran & Lugas, citados por Metcalfe (1969), para cada 1% de entrenós perfurados ocorre uma queda de 0,5% de açúcar.
Vários parâmetros de uma população vegetal podem ser avaliados pela mensuração de todos os indivíduos que a compõem por meio de um censo, embora na maioria das vezes, por seu alto custo, torne-se impraticável. Tal situação pode ser minimizada com o uso de técnicas de amostragem onde se mensura uma parte representativa da população, com precisão pré-estipulada.
Uma questão fundamental que geralmente surge no planejamento de um levantamento entomológico é a determinação da unidade padrão de coleta de dados, sendo necessária a sua caracterização com relação ao número mínimo de unidades amostrais, que constitui a amostra.
Trabalhos realizados na área florestal indicam que para uma determinada intensidade amostral, geralmente parcelas pequenas são mais representativas que as grandes, existindo tendência de aumento de precisão desde que o número de parcelas independentes seja elevado (Husch et al., 1972). Entretanto, parcelas grandes tendem a apresentar menor variabilidade; porém, em certas circunstâncias, o processo pode tornar-se oneroso pelo elevado número de elementos a serem observados e mensurados (Silva, 1977).
Estudos têm sido feitos para determinar o tamanho ideal de parcelas (número de colmos), com o objetivo de avaliar a intensidade de infestação causada pela broca-comum. Entretanto, nesses estudos não se fazem considerações estatísticas mais aprofundadas, principalmente com relação ao erro de amostragem, custos de amostragem e número mínimo de amostras representativo do local, uma vez que o assunto tem sido tratado como uma técnica experimental, quando na realidade trata-se de uma técnica de amostragem.
Pimentel (1960), utilizou o sistema de amostragem estratificada, em duas etapas, em um levantamento fitossanitário da lavoura canavieira e Pernambuco. Foram usadas parcelas de áreas fixas de 32 m2 (aproximadamente 180 colmos). Para estimar o número de parcelas representativo da população, utilizou-se o método da razão (máxima curvatura), mas os custos de amostragem não foram considerados.
Copersucar (1980) indica as seguintes técnicas de coleta de dados para amostragem de cana: colmos ao acaso, touceiras, metro de sulco e colmos seguidos no mesmo sulco. Comenta que um fator a ser considerado é o número de amostras retirado por talhão, setor ou parcela experimental. Quanto maior o total de amostras coletadas, maior a possibilidade da amostra ser representativa da área em estudo.
Almeida et al. (1986), estudando a intensidade de infestação da broca Diatraea saccharalis nas variedades CB 45-3, NA 56-79 e SP 70-1143, recomendaram coletar na leira de cana, em seis pontos distintos ao acaso, feixes de cinco canas, totalizando 30 canas por hectare, e proceder a determinação externa da percentagem de intensidade de infestação. Macedo & Botelho (1988) também sugerem a coleta de aproximadamente 30 colmos por hectare na linha ou na leira. O índice utilizado para tal estimativa é denominado intensidade de infestação.
Ribeiro et al. (1988) realizaram um levantamento na região de Ibiapaba, Ceará, com 100 colmos coletados ao acaso em cada talhão. A intensidade de infestação foi estimada abrindo-se longitudinalmente cada um dos colmos amostrados.
Vendramim et al. (1991) desenvolveram um índice denominado Intensidade de Danos, obtido pelo produto entre a intensidade de infestação e o percentual do volume da região danificada. Segundo os autores, esse índice permite comparar danos entre cultivares de cana-de-açúcar. Entretanto, o método utilizado para determinar o volume de tecidos danificados pode ser um fator limitante para o uso de tal índice.
Este trabalho teve o objetivo de estimar o tamanho ideal da parcela (número de colmos) para ava-liação da intensidade de infestação de broca-comum (Diatraea spp.) em cana-de-açúcar, variedade CB 45-3.
MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho foi desenvolvido na Usina Trapiche, município de Serinhaém, Zona da Mata Sul de Pernambuco, com a variedade de cana-de-açúcar CB 45-3, em cana planta.
Por tratar-se de uma única variedade, o sistema amostral utilizado foi o inteiramente aleatório (Scheaffer et al., 1979), com dados coletados no mês de agosto de 1991.
Seis tamanhos de parcelas foram considerados: 10, 20, 40, 60, 80 e 100 colmos por hectare. Em cada hectare foi deixado uma bordadura de 10 m, usando-se nas avaliações amostras casualizadas em áreas centrais. O número de parcelas coletadas para cada tamanho foi: 10 colmos (20 parcelas); 20 colmos (17 parcelas); 40 colmos (15 parcelas); 60 colmos (12 parcelas); 80 colmos (10 parcelas); 100 colmos (8 parcelas). Na escolha do número de unidades amostrais para cada tamanho de amostra, considerou-se o princípio de que menores parcelas devem ser amostradas em maior número, e vice-versa.
Cada conjunto de colmos (parcela) foi amarrado em feixe e etiquetado com o número da parcela. Cada colmo foi cortado na base e na extremidade, e transportado sem palhas. Os feixes foram analisados individualmente. Foram cronometrados o tempo de operação de coleta de parcelas no campo (T1); o tempo de observação, abertura longitudinal e avaliação de infestação por cana (T2). O tempo total (TT) foi obtido pela soma de T1 e T2.
A avaliação da intensidade de infestação em percentagem (II%) foi realizada segundo Macedo & Botelho (1988), cuja fórmula é expressa por:

onde:
NEB = número de entrenós broqueados;
NTE = número total de entrenós.
O procedimento de seleção do tamanho ideal da parcela foi o da eficiência relativa (ER%) (Covas & Christensen, 1945; Freese, 1962; Machado & Albertini, 1973, Scolforo et al., 1993).
A ER% de cada parcela foi comparada em relação às demais, através da fórmula:

onde:
TTi = tempo total médio de operação da coleta da cana em parcelas do tipo i;
TTj = tempo total médio de operação da coleta da cana em parcelas do tipo j;
NPRi e NPRj correspondem aos números de parcelas representativos da população usando parcelas do tipo (i,j), definidos por:

onde:
tx = valor na distribuição de t a 5% de probabilidade;
CVx = coeficiente de variação;
EA% = erro de amostragem adotado (10%);
EARi e EARj são os erros amostrais reais (ocorridos no campo), usando parcelas do tipo (i,j), definidos por:

onde:
= erro padrão da média.
II% = intensidade média de infestação.
Quando o valor de ER% for menor que 100, conclui-se que o tipo de parcela usado no numerador é mais eficiente do que o tipo usado no denominador, e vice-versa. Quando igual ou próximo a 100, os tipos de parcelas são considerados semelhantes.
Geralmente considera-se um tipo de parcela como padrão (100% eficiente), e faz-se a comparação com os outros. Neste trabalho não se usou um padrão sendo todos os tipos de parcelas comparados entre si.
Uma grande vantagem do teste da ER% é que além de considerar medidas de variação também considera custos, buscando encontrar um tamanho ideal de parcela com boa precisão e baixo custo de coleta de dados.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os valores utilizados nos cálculos de ER% dos diferentes tipos de parcelas (números de colmos), encontram-se na Tabela 1.
O tipo de parcela composto por 20 colmos foi o mais eficiente entre os usados neste trabalho (Tabela 2). Para comparar a ER% desse tipo de parcela com qualquer outro, deve-se considerar a coluna liderada pelo número 20. Conclui-se que esse tipo de parcela foi 190,61% mais eficiente que o tipo de parcela onde foram usados 10 colmos, e assim sucessivamente. Considerando a linha liderada pelo número 20, observa-se que o tipo de parcela que usou 10 colmos só é 34,37% eficiente quando comparado com o tipo que usou 20 colmos. Quaisquer comparações podem ser feitas através da Tabela 2. Baseando-se nos resultados obtidos neste trabalho, conclui-se que para variedade de cana CB 45-3, em cana planta, nas condições amostradas, o melhor tamanho de amostra é o de 20 colmos.
| TABELA 1. Resultados amostrais das variáveis uti-lizadas no cálculo da eficiência relativa, nos diversos tamanhos de parcelas estudadas1. | TABELA 2. Resultados das eficiências relativas de cada tamanho de parcela (número de colmos por hectare) comparado com os demais. |
| 1 T.P. = tamanho de parcela (número de colmos); N.P. = número de parcelas mensuradas; II% = intensidade de infestação em percentagem; TT = tempo total médio de operação da coleta de cana (horas); CV% = coeficiente de variação em percentagem; EAR% = erro amostral real; NPR = número de parcelas representativo da população. | |
Em função deste resultado, obteve-se um limite de confiança quanto a intensidade de infestação igual a 6,872% ± 1,388%. Portanto, para os dados estudados a média da intensidade de infestação por hectare esteve em torno de 6,872%, podendo variar entre 5,484% e 8,260%, a 5% de probabilidade, com um erro de amostragem real de 20,19%. Para reduzir esse erro para aproximadamente 10%, mais 53 parcelas deveriam ser coletadas.
Esse tipo de parcela não deve ser generalizado para outras variedades de cana ou outros locais, pois dependendo das condições específicas o sistema amostral poderá mudar. Se, por exemplo, mais de uma variedade de cana deve ser amostrada, o sistema amostral deverá ser o estratificado.
CONCLUSÃO
O tamanho ideal de parcela para avaliação da intensidade de infestação de Diatraea spp. em cana-de-açúcar é de 20 colmos por hectare.
REFERÊNCIAS
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